23 out 2009

A vaquinha foi pro brejo…

Autor: IvaelFreitas12 | Arquivado em: Oficina da Vida, Para Pensar...

Tem uma frase bem comum no Brasil que a gente usa sempre que uma situação está mal: “a vaca foi pro brejo!”

Porém, quando consideramos nossos problemas como oportunidades, a “coisa” pode ficar muito diferente.

Veja esta estória (já conhecida de muitos) que eu recebi por email:

A VAQUINHA FOI PRO BREJO…

Numa bela tarde de setembro, um jovem empreendedor, homem bem sucedido nos negócios, convida um de seus funcionários para um passeio pelas áreas rurais da região.

Ao avistarem uma casinha humilde e simples numa curva da estrada, resolveram parar e conversar com os moradores daquele sítio. A casinha era realmente muito simples: não era pintada, aparentava ser bem antiga e carecia de muitos cuidados.

Na entrada não havia um portão, apenas uma passagem. O mato estava alto. Apesar disso, já que tinham parado, resolveram continuar e conhecer aqueles moradores. A única maneira de avisar que estavam ali foi bater palmas, pois na entrada não havia campainha ou mesmo um sino para ser tocado.

Logo depois aparece um senhor de meia idade. Cumprimentam-se e em seguida, a fim de puxar papo e testar a hospitalidade do camponês, os visitantes pedem um copo com água. Aquele senhor, muito simpático, pede que os visitantes entrem em sua casinha humilde.

O empresário e seu funcionário ficaram ali, observando tudo.

- “O senhor é o dono desta propriedade?” pergunta o empresário.

- “Sim, eu sou o dono, sim senhor”.

- “Desculpa perguntar – continuou o empresário – mas qual é o meio de sustento do senhor e de sua família?”

Com um misto de alegria e resignação, o senhor respondeu: – “É a Mimosa! Uma vaquinha que eu tenho, que dá muito leite! Eu troco o leite por arroz na fazenda aqui ao lado. Faço queijo para a minha família e, quando sobra um pouco, levo até a cidade e troco por outros alimentos como legumes, verduras e outras coisas.”

O empresário e o funcionário se entreolharam, agradeceram a água, a simpatia, despediram-se e saíram.

Quando estavam indo embora, o empresário avistou a vaquinha na beira do abismo e deu uma ordem para seu funcionário, para que ele fosse lá e empurrasse a vaquinha abismo abaixo.

Aquele funcionário ficou pasmo! Disse que não iria de jeito nenhum, porque se a vaquinha morresse, aquela família iria morrer também, pois ficaria sem nada!

O empresário, porém, ficou irredutível! De certa forma, até com ameaças de demissão, forçou o funcionário a empurrar a vaquinha para o abismo e disse que sabia o que estava fazendo! Diante disso, o funcionário, constrangido e sofrendo muito, acabou cumprindo a ordem. Ele concluiu que o empresário, talvez, quisesse voltar ali naquele sítio e comprar a propriedade daquela família que, com certeza, após alguns dias, estaria morrendo de fome!

Empresário e funcionário foram embora sem dizer palavra! Foram momentos tensos…

O tempo passou, mas o episódio nunca saiu da cabeça daquele funcionário. Ele se culpava quase diariamente por ter causado a destruição daquela família. Pedia para Deus ajudar aquelas pessoas, mas ao mesmo tempo, não ficava à vontade em falar disso com Deus, pois temia ser castigado por Ele.

Dez anos se passaram e, então, muito mais experiente, já com a sua própria família constituída, aquele empregado resolveu enfrentar sua culpa e voltar àquele lugar. Quem sabe ainda dava para fazer alguma coisa pela família, ou pelo que havia sobrado dela.

Quando chegou perto, seu coração parecia sair-lhe pela boca! O que aconteceria? Teria alguém lá? Será que aguentaria saber o que realmente tinha acontecido?

Ofegante, foi chegando cada vez mais perto e, para surpresa sua, avistou uma cena completamente diferente. Havia um murro enorme com lindas árvores fazendo uma sombra gostosa à volta do sítio inteiro. Ele viu um portão lindo na entrada. Notou que havia uma campainha e o sítio agora tinha uma plaquinha com nome: “Sítio Felicidade”.

Ainda sentindo o peso da acusação, o rapaz pensou: – “Meu Deus! Eu matei aquela família, e, para não morrer de fome, tiveram que vender o sítio! Será que foi meu patrão quem comprou aqui e não me falou nada esse tempo todo? Para onde aquelas pessoas foram?”

Mesmo com todos esses pensamentos na mente, resolveu tocar a campainha.

Logo apareceu um senhor um pouco velho, aparentando seus sessenta e poucos anos.

O rapaz começou a falar, meio atrapalhado: – “Boa tarde, senhor! Desculpe o incômodo, não sei se o senhor pode me ajudar, mas é que eu estive aqui faz um tempão e conheci o antigo morador daqui. Era meu amigo. Acho que se mudou. O senhor saberia me dizer para onde ele foi com a família?”

O senhor pensou por alguns momentos e disse para o rapaz: – “Deve haver algum engano… Eu sempre morei aqui. Aliás, eu nasci aqui! Desde que meu pai morreu, há mais de vinte e cinco anos, eu sou o dono…”

Uns dez segundos de silêncio depois, o senhor continuou: – “Peraí! Por acaso você não é aquele jovem que veio com um outro homem, pediu um copo com água, conversou um pouco e saiu, é?”

- “Sim, sou eu” – disse o rapaz, agora assustado para valer! “O senhor se lembrou de mim?”

- “Claro! Como poderia me esquecer?”

O rapaz agora tremia sem parar! Um turbilhão de imagens e pensamentos passavam pela sua cabeça!

- “Eu quero que você entre e venha ver umas coisas. Preciso te contar o que aconteceu logo depois que você esteve aqui…” – falou o senhor.

Como não tinha outro jeito, o rapaz foi entrando e, ao seguir o proprietário, começou a observar que o sítio agora estava muito diferente! Tudo verde! Tudo muito bem cuidado. A casa? Um brinco! Uma casa linda e espaçosa, arejada, com pintura clara impecável e cortina nas janelas.

O rapaz não resistiu e perguntou o que havia acontecido, afinal, como aquele senhor tinha conseguido tão grande transformação?

Foi aí que o senhor, com um brilho intenso nos olhos, falou: – “Você deve se lembrar da Mimosa, aquela vaquinha que eu tinha… Pois é! Coincidentemente, no dia que você esteve aqui, ela caiu no abismo e morreu! A gente ficou chorando por quase um mês inteiro! Era a nossa única vaquinha…”

- “Sim, eu posso imaginar…”

- “Mas sabe, rapaz” – disse o senhor em tom carinhoso e com os olhos lacrimejados – “foi por causa dessa casualidade que a gente teve que mudar a rotina da família! O meu filho descobriu que sabia plantar e virou agricultor. Meu outro filho descobriu que tinha o dom de vender e resolvemos fazer uma barraca na feira para vender tudo o que plantávamos.”

- “Foi difícil no começo, mas a gente conseguiu melhorar bastante de vida depois…” – continuou o senhor – “E tem mais! A Aurélia, minha filha mais nova, foi estudar na cidade e descobriu uma vocação para cultivar flores! Nossa terra é boa demais para as flores! Depois de um tempo, a gente passou a ter também uma barraca de flores na feira!”

- “E vocês estão na feira até hoje?” Perguntou o rapaz.

- “Não, não! Hoje nossa família tem um mercadinho na cidade onde a gente vende o que colhe aqui no sítio e vende também a produção dos sítios aqui em volta do meu. Isso aconteceu porque, no meio de tudo, minha esposa descobriu que tinha jeito com os números e ela passou a ser a gerente geral. Ela sabe economizar como ninguém!”

Outras conversas se seguiram, mas o tema central acabou sendo mesmo aquele senhor sempre empolgado com o sucesso que obtiveram após a trágica morte da Mimosa.

Depois de saborear um delicioso bolo de fubá com café, o rapaz se despediu do proprietário do sítio e voltou para casa feliz da vida.

No dia seguinte, quando encontrou o empresário, seu patrão que havia estado com ele no sítio dez anos atrás, limitou-se a dizer:

- “Você tinha razão…”

MORAL DA ESTÓRIA

Sua vaca foi pro brejo? Que bom! Começou o tempo das melhores oportunidades para você crescer, prosperar e descobrir os seus VERDADEIROS talentos.

Crise é oportunidade!

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Adaptado por mim de email recebido de Ellen Chiosi em 12/10/2009.

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