3 dez 2009

A crise “somos nós”…

Autor: IvaelFreitas12 | Arquivado em: Geral, Para Pensar...

Já faz bastante tempo que ouvi uma estória bem interessante que falava de um “tiozinho” que era dono de uma barraquinha que vendia cachorro-quente, até que a crise chegou e ele se deu mal…

Bem, na verdade, não foi exatamente isso o que aconteceu. Eu vou apelar para a minha memória e tentar reproduzir o “causo”. Leia até o fim e tire suas conclusões…

Em uma certa cidadezinha do interior, daquelas onde ainda é possível enxergar as estrelas, ouvir os pássaros de manhã e sentir o perfume das flores no ar, vivia um senhor muito simpático e trabalhador.

Com o dinheiro que ele havia economizado a vida inteira trabalhando em uma roça ele conseguiu comprar uma casinha e, com o “restinho”, montou uma pequena barraca para vender cachorro-quente numa esquina da praça.

“Seu” Antenor – esse era o nome dele – e dona Abigail – sua esposa – sempre tiveram uma vida digna, vivida com sabedoria, honestidade e trabalho, muito trabalho. Na cidade, onde moravam juntos há mais de vinte anos, todos conheciam os doces da dona Abigail! Não havia quermesse ou festa na cidade onde não tivesse um quitute preparado pelas mãos dessa mulher abençoada por Deus.

Foi por isso que quando a notícia da “inauguração” da barraca de cachorro-quente do “seu” Antenor correu a cidade, todo mundo já ficou com água na boca, só imaginando como seria “o” cachorro-quente que eles iriam poder comer!

A expectativa era geral! Logo no primeiro dia, quase toda a cidade foi na barraca “Cachorrão” e, para confirmação de todos, o tal lanche era mesmo especial!

Como “seu” Antenor e dona Abigail sempre trabalharam muito desde que casaram, eles demoraram um pouco para ter filhos. Por isso, Paulo – filho único do casal – estava ainda na adolescência quando a barraca virou o “point” da cidade.

Nesta época, o “Cachorrão” vendia mais de cem lanches por dia e era com o recurso dessa autêntica “indústria de alimentos” que a família vivia muito bem e podia, inclusive, manter Paulo na Universidade de Engenharia, desde quando ele passou no vestibular em primeiro lugar!

Tempos depois, numa dessas tardes quentes de verão, Paulo – agora formado e trabalhando na capital – estacionou o seu carro novo na frente do portão da casa dos pais. Sua mãe percebeu logo de cara a preocupação estampada no rosto do filho. E qual mãe não percebe?

Depois de algumas conversas triviais, Paulo resolveu ceder à “pressão” da mãe e foi direto ao ponto, abrindo seu coração com a sua preocupação:

- Papai, eu estou muito preocupado com vocês dois aqui no interior. Como está indo a barraca?

- Ah, filho! É isso? Que susto! O “Cachorrão” vai muito bem, como sempre! A gente trabalha bastante, isso é verdade, mas até estamos conseguindo guardar um dinheirinho aí… Afinal, por que você está tão preocupado?

- É por causa da crise, pai! Eu sei que você é meio da velha guarda e não liga muito para as notícias do mundo financeiro e tal, mas eu queria ter certeza que vocês estão preparados para a crise, porque uma coisa é certa: ela vai chegar! Não tem como escapar. Todo mundo está apertando os cintos e se preparando porque as notícias do mundo inteiro não são nada boas…

Esse bate-papo continuou por horas. Falaram de várias coisas, mas sempre voltavam a mencionar a “tal” da crise!

Aquele final de semana passou bem rápido e na segunda-feira o “seu” Antenor resolveu assistir aos noticiários da TV com um pouco mais de atenção. Nem cochilou durante os intervalos!

A palavra que ele mais ouviu foi “crise”! Crise disso, crise daquilo e crise mais crise!

- Não é que o meu filho está bem informado mesmo? – Pensou. Tenho que fazer alguma coisa para me prevenir desse monstro!

Assim, no dia seguinte, em comum acordo com sua esposa, para economizar, resolveu usar uma salsicha um pouco mais barata. Passou a fazer o purê de batatas com aqueles saquinhos comprados no supermercado, afinal as batatas da feira eram muito mais caras e davam muito mais trabalho para amassar. Não podiam ficar desperdiçando tempo nem dinheiro se quisessem vencer a crise!

A partir daquele dia, o pão do cachorro-quente, que durante anos tinha sido comprado sempre na mesma padaria do outro lado da cidade, passou a ser comprado onde o preço pudesse ser um pouco mais barato.

- É a crise! – respondeu “seu” Antenor, quando o dono da padaria perguntou porque ele estava meio sumido…

Para evitar maiores prejuízos ainda e poder estar pronto para enfrentar a crise, “seu” Antenor também diminuiu a quantidade de pães comprados a cada dia. Sim, quase sempre os últimos clientes ficavam sem o lanche quando iam à barraca um pouco mais tarde, mas era melhor não arriscar. Usar pão amanhecido, jamais! Se sobrasse, teria que jogar fora!

Coincidentemente, quase ao mesmo tempo, os clientes do “Cachorrão” começaram a ficar mais raros. A barraca não vendia mais cem lanches por dia. Alguns dias, nem mesmo trinta!

Passados alguns dias, talvez um mês, no máximo, “seu” Antenor resolveu ligar para o seu filho e, bastante orgulhoso da “previsão” que Paulo havia feito, disse:

- Puxa filho! Você tinha mesmo razão! A crise chegou de repente e é mais feia do que eu pensava! Abalou tanto a economia que mexeu até com a gente aqui do interior! Hoje, lá no “Cachorrão”, não vendi nem dez lanches! Ainda bem que você tinha me avisado e eu me preparei, né filho?

Moral da estória: cada um faz a sua crise…

Se você realmente acredita que tudo está mal (e piorando), é o que vai, de fato, acontecer. Deixe de se preparar para a crise e prepare-se para a vida!

Mantenha elevado o seu “nível de qualidade” porque as crises são, na verdade, geradoras de grandes oportunidades!

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6 comentarios para “A crise “somos nós”…”

  1. RT @IvaelFreitas: Veja como um pouco de medo da crise destrói um negócio próspero e promissor. http://ow.ly/I2sB

  2. Veja como um pouco de medo da crise destrói um negócio próspero e promissor. http://ow.ly/I2sB

  3. Veja como um pouco de medo da crise destrói um negócio próspero e promissor. http://ow.ly/I2sB By @IvaelFreitas

  4. RT @IvaelFreitas: Veja como um pouco de medo da crise destrói um negócio próspero e promissor. http://ow.ly/I2sB

  5. debora escreveu:
  6. Boa noite. Meu nome é Débora e voce é um dos meus seguidores no twitter. Bem, estive a ler teu blog e, devido à coerência dos teus pontos de vista e a forma pela qual o senhor aborda os assuntos, venho parabenizá-lo virtualmente. (: te sigo no twitter, agora.

    Que o senhor tenha uma boa noite e feliz natal pra ti e pra tia familia.

    Prazer. Debora.

  7. Olá, Débora! Agradeço o comentário.
    Feliz 2010 prá você!
    Meu blog está à disposição. Se desejar contribuir com notícias, sugestões ou comentários, é só me enviar.
    Abraços,
    Ivael Freitas

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